Aconteceu, ontem, a dita reunião dos diretores do Saae com os vereadores e o presidente do PCdoB, Edilson Lopes, conforme previsto. Ou seja, a direção do Saae se mostrou responsável, compareceu ao convite e ainda colocou-se à disposição para apresentarem os documentos e planilhas do Saae, segundo nos informou o Edilson Lopes. O diretor-presidente foi muito feliz em levar consigo dois técnicos, Jorge Borges e Marcos Batista.
BOA MEMÓRIA
Edilson foi enfático no dizer que Jorge Borges é muito capacitado e que merece todo nosso respeito. E é verdade. A autarquia, quando esteve sob suas mãos e do seu pai, Silvio Borges, contava com administração técnica e muito próspera. Mantenho viva na minha memória algumas lembranças. Sô Silvio sempre chegava meia hora antes da turma bater o ponto, para fiscalizar, de perto, os que chegassem atrasados. A frota era mantida sempre novinha, fazia questão que todos andassem bem barbeados e com os cabelos bem cortados. A higiene e o zelo pela imagem eram constantes. De 1997 para cá, a autarquia, conhecida como prima rica, passou a ser assediada pelos maus políticos, o corpo técnico foi rebaixado e começaram a chegar paraquedistas de plantão. Desde então, boa parte das indicações e nomeações tem sido no atendimento das necessidades político-partidárias.
AS JUSTIFICATIVAS
Segundo Jorge Borges, há, na autarquia, uma grande depreciação dos equipamentos e os preços estão defasados, desde 2005 (devido aos cancelamentos dos últimos reajustes). Segundo as explicações, a arrecadação, com base em cobrança por metros cúbicos de água, é de cerca de R$ 1,3 milhão. Se a cobrança da tarifa fosse pela Copasa, o valor seria de R$ 2,5 milhões. Jorge destacou, ainda, que Itabira terá de elaborar também um Plano Municipal de Saneamento, até 2013, para que a cidade não perca verbas do Ministério das Cidades, cujo plano abrange água, esgoto, drenagem urbana e lixo (com participação da Itaurb). Outro ponto defendido é que a cidade conta só com 15% de drenagem urbana e que precisa ser aumentada. Outro problema que precisa atenção é a limitada captação de água.
A justificativa que não colou foi o golpe de joão-sem-braço deles, ao alegarem que eles não interferiram em qualquer procedimento na falta de transparência da Arsae, durante a pseudoaudiência pública. Se isso foi verdade, pecaram pela omissão. Afinal, por que não notaram a falta de transparência no processo e mudaram o infeliz rumo?
MAIS LENHA NA FOGUEIRA
Feitas as defesas técnicas, tanto pela coerência, quanto pela competência e seriedade dos técnicos, compreendi e acredito que temos que contribuir, sim, com o aumento. Só que não é justo que a navalha seja passada apenas em nossas carnes.
O governo tem que ser o primeiro a dar melhor exemplo, tal como fez Aécio Neves no choque de gestão do estado, quando, inclusive, abriu mão de remuneração de representação. A começar por um limpeza geral na autarquia (que diga-se de passagem opera com saneamento, certo?), fazer uma auditoria séria nos estoques de materiais e a retirada imediata do cabidão de empregos. Enquanto ocorria a reunião, chegaram mais e-mails contendo denúncias de apadrinhados lotados no Saae, tendo alguns que sequer têm cumprido com o expediente, dentre eles, filho de secretário, namorada de cacique do PMDB, ex-candidatos a vereadores etc.
A maioria absoluta dos problemas de má gestão na cidade tem sido as más nomeações políticas e o excesso delas. Se aumentarmos mais os tributos, tarifas e contas, essa turma aí do poder não vai cumprir fielmente com o que esperam os técnicos e, sim, contratar mais 'chegados'.
Sem a sensibilização do governo numa limpeza profunda, o Saae mais vai ser lembrado pela população, como se despejasse esgoto fétido que escorre pelas escadas da autarquia e que contamina a água que toda a população é obrigada a beber. Aí não dá e sou contra.