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segunda-feira, 21 de outubro de 2013

OS RABOS

(Geral)



Certa vez, ouvi uma defesa de um grande amigo, bastante experiente em comunicação e marketing político, que foi taxativo ao afirmar que era contra a reeleição. De imediato, estranhei e contrapus seu ponto de vista, citando como exemplos alguns bons políticos que haviam encerrado bem os primeiros mandatos e que deveriam continuar na ocasião, como Nozinho, Li, Jackson (sim, o Jackson que foi execrado injustamente pelo pior grupo político que Itabira já viu) e outros.

Pois bem, passados quase 10 anos, com boas e más experiências, pergunta-se:
-Afinal, reeleição é legal? Vale a pena um município manter o mesmo grupo no poder?

Vamos por partes... Primeiro, penso hoje que fui infeliz ao defender a reeleição pura e simplesmente. Nozinho, por exemplo, fez uma excelente gestão entre 2005 e 2008. Nada mais justo do que ser reeleito. Certo!? Porém, do meio do segundo mandato em diante, lamentavelmente, paguei língua ao ter que assumir que o governo dele começou a se perder a tal ponto que, praticamente, nenhuma obra ou ação de vulto conseguiu manter ritmo, ou ter princípio, meio e fim, com exceção das festas de porteiras abertas, que torram fortunas em poucos dias e até hoje são muito usadas na promoção política. E aí, será que valeu a pena?

Para piorar, pelo menos a meu ver e a cada dia que se percebe, com a reeleição de seu pupilo, o atual prefeito Antônio Carlos Bicalho, a gestão deteriora, perde foco e investe  em articulações estranhas com a câmara, onde, por coincidência, a presidência está sob as mãos de sua prima. Com efeito, a maior e única obra de vulto deixada pelo Nozinho e que foi concluída, até o momento, foi o asfaltamento da estrada para as Pacas, que é reduto eleitoral dos dois e onde seus familiares mantém antigas propriedades. Coincidentemente, não se vê a câmara cumprindo seu papel de fiscalizar, derrapou na Lei da Transparência e acaba de mudar o quadro de pessoal, quando criou e redefiniu dezenas de cargos sem ter feito concurso público. É tanta gente, que já tem cidadãos perguntando onde ficam e como cabem tantos servidores.

Passado quase 1 ano do novo mandato, com o dinheiro que tem (de fora os 43 milhões que o Nozinho deixou para quitar as obras inacabadas) e a pequena demanda de menos de 10 mil moradores, São Gonçalo não poderia ter um só passeio quebrado, uma só rua esburacada, uma só praça mal cuidada. Não contar com água devidamente tratada, então, é inadmissível e impensável. As obras, por obrigação, deveriam pipocar por todas as partes. As esquisitices vão a um patamar que assistimos o prefeito propor um aeroporto regional, sem sequer ter uma rodoviariazinha que seja. Isso mesmo, quem quiser ir à BH ou Monlevade, ou pedia aos vereadores para darem um jeitinho ou têm que se arriscar às margens da BR-381. 

Minha gente, falo de quase 20 milhões de reais por mês, para menos de 10 mil habitantes, fazendo com que a cidade chegue a ter quase 15 vezes mais o orçamento per capita da vizinha João Monlevade. É dinheiro demais, que ninguém sabe, exatamente, onde enfiam tantos recursos.

Daí, não resisto à mais esta pergunta: Depois de tanto tempo de experiência, com tanta gente bacana, super treinada e capacitada, o que fez este grupo se perder desta forma? Seria culpa do Nozinho ao apoiar um sucessor pior? Ou uma estratégia esperta para que volte forte em 2016?

Sinceramente, qualquer que seja a resposta, ela nunca saciará a população do ponto de vista do ideal, do melhor para a cidade. Se o ex-prefeito errou ao "avalizar" um pior sucessor ou por ter imaginado que teriam saudades dele, em hipótese alguma justificaria sacrificar a cidade desta forma. Por isso, prefiro descartar estas hipóteses. 

Uma dura, mas plausível resposta seria que os políticos, de uma forma geral, podem se perder nos rabos presos. E convenhamos, quanto mais velho fica um grupo político no poder; quanto mais exceções abrirem para uns e outros não;  quanto mais novos milionários aparecerem do nada, mais a gente passa a ter que concordar que, definitivamente, reeleição pode se tornar um grande problema, por expor os municípios a riscos incalculáveis. É... aquele meu amigo tinha plena razão de não apoiar.

EM TEMPO: 
Um contraponto nesta observação notoriamente pessimista é que, na semana passada, o prefeito, ex-prefeito e vice foram absolvidos do pior processo de cassação da história de São Gonçalo por corrupção eleitoral, ainda em primeira instância. Temos aí uma boa segunda chance para superarem os desafios de se desvencilharem dos compromissos eleitorais, que imagino lhes amarrarem as máquinas.

Há quem aposte, portanto, que a partir de agora eles se esforçarão bem mais para corrigirem os erros, para não mais perseguirem e que se concentrarão nos acertos, nos términos imediatos das obras deixadas pelo Nozinho e que colocarão em prática excelentes projetos a serem concluídos até o ano de 2015. Afinal, de 2016 em diante, não vale e ninguém mais acreditará em novas promessas e leros-leros eleitorais.

Eu, como são-gonçalense de coração, torço muito por isso e espero pagar língua. Tomara!

7 comentários:

  1. Parabéns Fernando... estou na mesma torcida que você, "espero pagar lingua" !!!! Mas a cada dia que passa acredito que isso é mais dificil... Porque o rumo da administração da nossa cidade não demostra nenhuma mudança!!!!!

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  2. Concordo com vcs, tenho 50 anos e sempre acompanhei a política de São Gonçalo e nunca fui partidário, mas tbem nunca vi uma administração tão ruim assim, sem falar de perseguição, autoritarismo e falta de respeito com o povo
    São-gonçalense.



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  3. Gostaria de fazer uma observação a respeito do texto acima. O Aeroporto Regional não é uma reivindicação da prefeitura de São Gonçalo do Rio Abaixo. Trata -se de um programa Estadual de Interiorização do Desenvolvimento. São Gonçalo foi cotada como candidata, por apresentar uma topografia mais plana que a Serra do Tambor, em Itabira.Detalhe este que representaria menos movimentação de terra,barateando o custo final da obra.

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    1. O blogueiro com certeza sabia disso.

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  4. A respeito do comentário acima, gostaria de destacar: se a possivel construção do aeroporto em SGRA é uma iniciativa do governo estadual, como o governo municipal não se preocupa com a construção de uma simples rodoviária para a cidade??

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  5. Gostaria de lembrar o povo de São Gonçalo que a camara municipal criou mais cargos, chegando a quase 90, e já estão contratando sem concurso, vamos convocar o povo São-gonçalense para manifestarem na porta da camara, pois já contrataram 02 funcionários e por coincidência de João Monlevade. Concurso Público Já.

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    1. Caro leitor, li muito rapidamente o projeto de lei que refez o quadro de servidores da Câmara Municipal.

      Realmente é absurda a ousadia da presidência em insistir no descumprimento da lei que obriga a fazer concurso público, porém não entendi como ficou a quantidade de cargos atuais. Pareceu serem uns 50, que mesmo assim seria um número abusivo.

      Na dúvida, tanto você, ou a direção da casa pode nos enviar a relação dos servidores, para tirarmos a prova e melhor analisarmos?

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