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quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Penso logo falo, falo logo existo?

(São Gonçalo do Rio Abaixo)

Ola prezados leitores do blog: “Filhos das Minas”,  foi com enorme prazer que recebi o convite de Fernando Martins, para vir integrar à fantástica equipe de autores deste blog, nesse espaço democrático e bastante fértil.

                             Foto: Matt Cole/SOLENT

Estive pensando sobre o que poderia falar em meu primeiro post (oficial), e me ocorreu de fazer uma anedota ao célebre filósofo francês René Descartes ( O discurso do método – 1637), quando escreveu uma de suas mais notórias frases: “Penso, logo existo”, com a qual imagino todos tenham em algum momento travado conhecimento.

Digo anedota, mas creio que seguramente poderia transportar seu significado sem qualquer prejuízo, para nossa querida São Gonçalo do Rio Abaixo do século XXI, e imagino para quantos outros rincões desse nosso Brasil, mas nos atenhamos ao conhecimento de causa, que é para não pecar por falta de credibilidade.

A explicação para que eu tenha escolhido falar sobre esse respeito é deveras bastante pertinente, mas carece de uma explicação, para contextualizar a todos os prezados leitores, e para isso, preciso retroceder a alguns anos atrás (ao ano de 2000 para ser mais preciso), quando o atual prefeito de São Gonçalo do Rio Abaixo (Sr. Raimundo Nonato Barcelos – O Nozinho), não era ainda o prefeito em iminência de deixar o poder em função de seu sucessor, mas apenas um postulante ao cargo de Prefeito Municipal, e naquele pleito, sendo que seu principal concorrente naquele ano foi o Sr. José Felisberto da Fonseca (ocasião em que o Sr. José Felisberto da Fonseca acabou eleito).

Naquela ocasião, as paixões políticas na cidade já eram bastante afloradas, mas os eleitores muito mais comedidos ao falarem sobre o assunto da sucessão na prefeitura municipal, pois acabei descobrindo posteriormente, que muitos eleitores, jamais revelavam seu candidato favorito não simplesmente porque esse é um direito assegurado pela constituição federal (o direito ao voto secreto), ou qualquer outro motivo mais nobre, mas simplesmente (se é que é tão simples assim), por temerem qualquer tipo de perseguição ou represaria posterior, caso seu candidato não fosse o eleito. Me recordo vivamente, que em uma conversa de bar uma vez, um senhor afirmou que tinha se mudado recentemente para São Gonçalo do Rio Abaixo, e que se fosse onde morava anteriormente, ele colocaria bandeira de seu candidato em casa, para que todo mundo visse, o que ainda acabaria ajudando ao candidato, em função da propaganda obviamente, mas que estando em São Gonçalo, não faria isso, porque São Gonçalo é uma cidade onde todos se conhecem e ele ficaria marcado, caso o fizesse.

Pelo que pudemos ver nas ultimas eleições, muitas pessoas perderam esse receio, e estamparam sua preferência em suas casas, automóveis, perfis de rede social ou até mesmo no engajamento em campanha política, o que certamente é um ponto a favor da democracia, mas muitos ainda não tiveram coragem de expor suas preferências abertamente, ainda por medo de perseguição.

Fato é, que eu não tenho certeza se essa dita perseguição de fato existe (prefiro acreditar que não), mas vale o questionamento e a reflexão: Será que somos de fato livres para pensar e nos expressar? E se não somos, é correto que seja assim? O que precisamos fazer para nos libertar dessas amarras?
Creio que independente de quem ganhe ou deixe de ganhar as eleições, o cidadão tem acima de tudo, direito a diversidade de opinião (alguns aprovam, outros não, alguns gostam outros não, alguns votam outros não), e ao político eleito, cabe perceber qual foi o resultado que veio das urnas (Ganhou? Ganhou bem? Tem aprovação da população? Como anda sua popularidade?), pois o tempo de perseguição e tortura psicológica, notadamente ainda não terminou, mas caminha a passos largos para um fim inevitável e até ansiado.

O que nós cidadãos queremos é poder sair por ai, e dizer ou não (isso de acordo com nossa preferência, e não por medo), o que é que queremos, como queremos e quando queremos, e ao poder público, cabe receber esses dados, trata-los e se valer das informações resultantes para decidir o que de fato fazer, em que tempo e em que intensidade (ou seja, equalizar a demanda popular, com o orçamento público, a ordem de prioridade das ações e demais incógnitas, que podem não estar claras para população, mas que devem ser trazidas a seu conhecimento), pois a transparência nas ações publicas hoje é uma demanda da sociedade civil organizada e este é um caminho sem volta.

Dessa forma, espero ansioso o dia em que o cidadão deixe de ser cidadão de direito e passe a ser cidadão de fato, pois como seres humanos “Pensamos, logo existimos”, “Existimos, logo queremos falar (em alto e bom som, diga-se de passagem)”. 

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