Participando da manifestação dos servidores públicos de Itabira, que lutam por melhorias das condições de trabalho, tive a oportunidade de conversar com parte da equipe de saúde mental de Itabira. O relato das condições de trabalho estão na carta, a qual peço licença para publicar neste espaço:
Situação da saúde mental em Itabira
No dia 18 de maio de 2009, os trabalhadores da saúde mental de Itabira percorreram as ruas próximas aos CAPS adulto e infantil, com faixas e cartazes a fim de tornar públicas e denunciarem suas precárias condições de trabalho para atender os portadores de sofrimento mental do município e cidades vizinhas. Além dessa passeata, os trabalhadores fizeram um manifesto para sensibilizar e conscientizar os gestores de políticas públicas do município a abraçarem a causa e darem respostas satisfatórias às necessidades de um serviço eficaz e mais humano, digno de uma cidade que quer consolidar suas conquistas.
Depois de quase 1 ano desse manifesto quase nada foi feito, as insatisfações continuam, ou pior, se agravaram.
O CAPS, Centro de Referência em Saúde Mental continua sem acomodações dignas para acolher seus usuários, faltam cadeiras, isto mesmo, cadeiras para profissionais e pacientes. A tal reforma física do prédio prometida em fevereiro de 2009 jamais aconteceu; o telhado apresenta goteiras, ocasionando em todo local mofo e infiltrações nas paredes, os banheiros apresentam problemas hidráulicos constantemente, há salas com lâmpadas queimadas, bebedouros ineficientes, com esse calor, apenas 3 ventiladores em funcionamento, o posto de enfermagem tem armários quebrados e o seu espaço físico é pequeno e inadequado para atender os pacientes, na recepção os arquivos para prontuários estão despencando, pacientes e familiares que vêm buscar remédios enfrentam sol e chuva na fila de espera da farmácia, aliás o espaço físico dela é totalmente inadequado. A alimentação (marmitex) fornecida por uma firma aos pacientes da permanência-dia é diariamente rejeitada pelos mesmos; seu aspecto é ruim, o cardápio é repetitivo e sem balanceamento alimentar.
Materiais para oficina não aparecem desde janeiro de 2010; falam que já foi feito o empenho de solicitação dos mesmos e enquanto isto há profissionais no CAPS quem trazem de suas casas ingredientes e materiais para a oficina de culinária. Isto, porque são sensibilizados com os usuários que se sentem frustrados em ficar ociosos no CAPS. E cadê a terapeuta ocupacional que pediu exoneração em janeiro e até hoje não arranjaram outra para o seu lugar, enquanto cargos comissionados são criados e brotam substitutos imediatamente para os que saem.
Quanto aos leitos para pacientes psiquiátricos nos 2 hospitais de Itabira, dizem que já foram providenciados, mas no dia 05/03/2010, o CAPS tentou encaminhar um paciente para o Hospital Carlos Chagas e alegaram não haver vaga. Com relação aos medicamentos, o estoque da farmácia do CAPS é pífio, os responsáveis pela compra dos mesmos só a fazem quando chega a faltar.
Parcerias e intersetorialidade é conclamado aos quatro ventos, jamais existiu, os pacientes da saúde mental continuam sendo excluídos em preogramas da Secretaria Municipal de Esportes e Lazer, sendo que não temos na cidade um centro de convivência para os mesmos, e o Projeto Vida Ativa dessa secretaria funciona para muitos pacientes como suporte terapêutico e social. A Secretaria de Ação Social possui verba para atendimento de migrantes em trânsito, isto é, assistem essas pessoas com hospedagem e alimentação, mas o doente mental de Itabira que muitas vezes perde o vínculo familiar, deixam perambular pelas ruas. Cadê a intersetorialidade?
A valorização dos servidores não acontece, para se ter idéia, um profissional de nível superior não chega a receber 3 salários mínimos, sendo que só este ano o IPTU em Itabira teve mais de 30% de aumento.
É claramente percebido o descaso dos gestores de políticas públicas, que só fazem exluir o usuário de saúde mental, como também os profissionais e a população. Nos sentimos à margem, estamos adoecidos diante de tanta negligência, estamos órfãos, as pessoas são deserdadas de sua matriz, sofridas e sem esperança, o que vem engrossar as estatísticas do suicídio em nosso município.
POR UMA SOCIEDADE JUSTA, FRATERNA E SEM ADOECIMENTO, NÓS PROFISSIONAIS DA SAÚDE MENTAL COMPROMISSADOS COM O NOSSO TRABALHO, EXTERNAMOS NOSSO DESABAFO E TEMOS ESPERANÇA DE QUE NOSSOS ANSEIOS SE CONCRETIZEM.
Equipe de Saúde Mental de Itabira