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terça-feira, 16 de março de 2010

Daí a César o que é de César

A publicidade dos atos de governo é um direito dos cidadãos. O cidadão deve ter acesso às informações públicas para controlar e avaliar seus representantes. A informação é o instrumento que o cidadão tem para avaliar o trabalho de seu representante. Quanto mais informações o cidadão tiver sobre o governo e o comportamento de seus representantes, mais preparado estará para decidir quem está apto para representá-lo. A transparência do governo é, ou pelo menos deveria ser, uma característica que distingue um governo democrático de um governo autoritário.

Dar publicidade às ações governamentais é, portanto, tarefa de um governo democrático. Mas a publicidade deve servir para informar o cidadão, aumentando a transparência do governo. A propaganda oficial não pode servir como mero panfleto promocional, destinado exclusivamente a influenciar a opinião pública. E, essencialmente, a publicidade não pode servir para deformar ou distorcer a informação.

Recentemente, circulou por toda Itabira um informativo da administração municipal alardeando as conquistas do município no ano passado. Inclui-se na lista de conquistas o asfaltamento de Bom Jesus até Ipoema, o aumento da capacidade do tráfego de Itabira ao trevo... certamente conquistas importantes, mas que não foram custeadas pelos cofres do município.

A prática, aliás, não é nova. No período eleitoral, a campanha de reeleição transmitia a impressão que obras importantes como o asfaltamento de Itabira à Nova Era e Itabira à Monlevade, a Estação de Tratamento de Esgoto e a instalação da Unifei eram realizações da administração municipal. Só não era dito que os recursos eram, em sua maioria, estaduais ou federais. Obras de administrações anteriores, como a segunda etapa do Canal da Praia, Canal da Gabiroba e Avenida Mauro Ribeiro pareciam ser fruto da atual administração. Curioso é que a paternidade sobre parte das conquistas já havia sido reivindicada pelo ex-prefeito Ronaldo Magalhães.

Dias atrás, novo informativo circula na cidade. Desta feita, o deputado Mauri Torres prestando contas de sua atuação parlamentar. Entre os frutos de seu trabalho, obras e recursos articulados para o asfaltamento de Itabira a Monlevade e Itabira a Nova Era, aumento da capacidade do tráfego de Itabira ao trevo, pavimentação de estradas rurais. A lista de conquistas é bem semelhante. Curioso, novamente, é que a articulação para obtenção de boa parte de tais recursos já havia sido reivindicada por outro deputado.

Daí eu fico imaginando como fica a cabeça do cidadão menos informado, que não acompanha a rotina do governo, mas que utiliza a publicidade oficial para formar sua opinião. Diante de informações contraditórias, confusas ou obscuras, o cidadão vê sonegado seu direito de informação correta, dificultando o controle e avaliação de seus representantes.

O fato é que nos últimos cinco anos foram destinados aos cofres municipais aproximadamente R$ 1.000.000.000,00 (um bilhão de reais). Mesmo assim, os principais investimentos realizados em Itabira são recursos estaduais e federais. Não se nega ou menospreza a articulação das lideranças municipais e regionais para fazer chegar o recurso. Nossas maiores conquistas são sempre fruto de um trabalho coletivo. Mas é preciso conceder ao cidadão informação verdadeira. Cidadania se constrói assim. Informações contraditórias, confusas ou obscuras tornam um governo menos democrático e produz um cidadão amputado em seu direito de formar sua convicção. Bom para maus governos. Ruim para a sociedade.

6 comentários:

  1. A Escolha de Sofia.

    Para quem não sabe, a escolha de Sofia é a história de uma mãe judia no campo de concentração nazista de Auschwitz, que é forçada por um soldado alemão a escolher entre o filho e a filha qual será executado e o que será poupado. Se ela se recusasse a escolher, os dois seriam mortos. Ela escolhe o menino, que é mais forte e tem mais chances de sobreviver, porém nunca mais tem notícias dele. A questão é tão terrível que o título se converteu em sinônimo de decisão quase impossível de ser tomada.

    Pois bem, uma coisa eu sei, antes de mais nada tenho conhecimento dos politicos que passaram por Itabira, no inicio eram bons, falavam com o povo e pelo povo (ze mauricio, jackson, li)
    peço licenca para tirar Luiz Menezes que foi um Prefeito do povo.
    Uma coisa tenho certeza, nao caio mais em lagrimas derramadas, sei que vou votar em quem achar mais honesto. Nao tenho nada contra mas os petistas de antigamente eram mais honestos.

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  2. Rodrigo Constantino
    Serra ou Dilma? A Escolha de Sofia
    “Tudo que é preciso para o triunfo do mal é que as pessoas de bem nada façam.” (Edmund Burke)
    Aécio Neves pulou fora da corrida presidencial de 2010. Agora é praticamente oficial: José Serra e Dilma Rousseff são as duas opções viáveis nas próximas eleições. Em quem votar? Esse é um artigo que eu não gostaria de ter que escrever, mas me sinto na obrigação de fazê-lo. Afinal, o futuro e a liberdade está em jogo. Será que há necessidade de optar? Ou será que o voto nulo representa a única alternativa?
    Tais questões me levaram à lembrança do excelente livro O Sonho de Cipião, de Iain Pears, uma leitura densa que desperta boas reflexões sobre o neoplatonismo. Quando a civilização está em xeque, até onde as pessoas de bem podem ir, na tentativa de salvá-la da barbárie completa? Nas palavras do autor: “Usamos os bárbaros para controlar a barbárie? Podemos explorá-los de modo que preservem os valores civilizados ao invés de destruí-los? Os antigos atenienses tinham razão ao dizerem que assumir qualquer lado é melhor do que não assumir nenhum?”
    Permanecer na “torre de marfim”, preservando uma visão ideal de mundo, sem sujar as mãos com um voto infame, sem dúvida traz conforto. Manter a paz da consciência tem seus grandes benefícios individuais. Além disso, o voto nulo tem seu papel pragmático também: ele representa a única arma de protesto político contra todos que estão aí, contra o sistema podre atual. Somente no dia em que houver mais votos nulos do que votos em candidatos o recado das urnas será ouvido como um brado retumbante, alertando que é chegada a hora de mudanças estruturais. Os eleitos sempre abusam do respaldo das urnas, dos milhões de eleitores que deram seu aval ao programa de governo do vencedor, ainda que muitas vezes tal voto seja fruto do desespero, da escolha no “menos pior”.

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  3. A ESCOLHA DE SOFIA
    Mas existem momentos tão delicados e extremos, onde o que resta das liberdades individuais está pendurado por um fio, que talvez essa postura idealista e de longo prazo não seja razoável. Será que não valeria a pena ter fechado o nariz e eliminado o Partido dos Trabalhadores Nacional-Socialista em 1933 na Alemanha, antes que Hitler pudesse chegar ao poder? Será que o fim de eliminar Hugo Chávez justificaria o meio deplorável de eleger um candidato horrível, mas menos louco e autoritário? São questões filosóficas complexas. Confesso ficar angustiado quando penso nisso.
    Voltando à realidade brasileira, temos um verdadeiro monopólio da esquerda na política nacional, PT e PSDB.
    Mas existem algumas diferenças importantes também. O PT tem mais ranço ideológico, mais sede pelo poder absoluto, mais disposição para adotar quaisquer meios – os mais abjetos – para tal meta. O PSDB parece ter mais limites éticos quanto a isso. O PT associou-se aos mais nefastos ditadores, defende abertamente grupos terroristas, carrega em seu âmago o DNA socialista. O PSDB não chega a tanto.
    Além disso, há um fator relevante de curto prazo: o governo Lula aparelhou a máquina estatal toda, desde os três poderes, passando pelo Itamaraty, STF, Polícia Federal, as ONGs, as estatais, as agências reguladoras, tudo! O projeto de poder do PT é aquele seguido por Chávez na Venezuela, Evo Morales na Bolívia, Rafael Correa no Equador, enfim, todos os comparsas do Foro de São Paulo. Se o avanço rumo ao socialismo não foi maior no Brasil, isso se deve aos freios institucionais, mais sólidos aqui, e não ao desejo do próprio governo. A simbiose entre Estado e governo na gestão Lula foi enorme. O estrago será duradouro. Mas quanto antes for abortado, melhor será: haverá menos sofrimento no processo de ajuste.
    Justamente por isso acredito que os liberais devem olhar para este aspecto fundamental, e ignorar um pouco as semelhanças entre Serra e Dilma, mas uma continuação da gestão petista através de Dilma é um tiro certo rumo ao pior. Dilma é tão autoritária ou mais que Serra, com o agravante de ter sido uma terrorista na juventude comunista, lutando não contra a ditadura, mas sim por outra ainda pior, aquela existente em Cuba ainda hoje. Ela nunca se arrependeu de seu passado vergonhoso; pelo contrário, sente orgulho. Seu grupo Colina planejou diversos assaltos e assassinatos.
    Como anular o voto sabendo que esta senhora poderá ser nossa próxima presidente?! Como virar a cara sabendo que isso pode significar passos mais acelerados em direção ao socialismo “bolivariano”?
    Entendo que para os defensores da liberdade individual, escolher entre Dilma e Serra é como uma escolha de Sofia: a derrota está anunciada antes mesmo da decisão. Mesmo o resultado “desejado” será uma vitória de Pirro. Algo como escolher entre um soco na cara ou no estômago. Mas situações extremas demandam medidas extremas, e infelizmente colocam certos valores puristas em xeque. Anular o voto, desta vez, pode significar o triunfo definitivo do mal. Em vez de soco na cara ou no estômago, podemos acabar com um tiro na nuca.
    Dito isso, assumo que votarei em Serra, mas não sem antes tomar um Engov. Meu voto é anti-PT acima de qualquer coisa. Meu voto é contra o Lula, contra o Chávez, que já declarou abertamente apoio a Dilma. Meu voto não é a favor de Serra.. E, no dia seguinte da eleição, já serei um crítico tão duro ao governo Serra como sou hoje ao governo Lula. Mas, antes é preciso retirar a corja que está no poder. Antes é preciso desarmar a quadrilha que tomou conta de Brasília. Ainda que depois ela seja substituída por outra parecida em muitos aspectos. Só o desaparelhamento de petistas do Estado já seria um ganho para a liberdade, ainda que momentâneo.
    Respeito meus colegas liberais que discordam de mim e pretendem anular o voto. Mas espero ter sido convincente de que o momento pede um pacto temporário, como única chance de salvar o que resta da civilização brasileira – o que não é muito.

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  4. Um rapaz de 16 anos chega em casa com um Porsche ultimo modelo e os pais gritam:
    - Onde conseguiu isto?
    Ele calmamente responde:
    - Acabei de comprar.
    - Com que dinheiro? - perguntam. - Sabemos quanto custa um Porsche!
    - Bem; - ele disse - este custou 15 dólares.
    E os pais esbravejaram ainda mais:
    - Quem venderia um carro destes por 15 dólares???
    - A senhora logo acima na rua. Não sei seu nome, recém mudou-se para cá. Ela me viu passando de bicicleta e perguntou se queria comprar o Porsche por 15 dólares.
    - Santo Deus! - gemeu a mãe - Deve abusar de crianças. Quem sabe o que fará depois? John, vá lá imediatamente, para ver o que está acontecendo.
    O pai foi até à casa da senhora e ela calmamente plantava petúnias no jardim.
    Ele se apresentou como pai do rapaz a quem ela vendeu o Porsche e perguntou por que ela havia feito aquilo.
    - Bem; - disse ela - pensei que meu marido estivesse viajando a serviço mas descobri que ele fugiu para o Havaí com a secretária e não pretende voltar. Esta manhã ele me ligou e pediu que vendesse o Porsche e lhe enviasse o dinheiro. Então eu vendi.

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  5. Entao eu vendi, se continuarem achando que vão salvar o mundo pelos politicos, me faz lembrar uma boa piada.
    Vamos com calma lutar cada dia e não sermos criados para ser politicos.
    Um rapaz de 16 anos chega em casa com um Porsche ultimo modelo e os pais gritam:
    - Onde conseguiu isto?
    Ele calmamente responde:
    - Acabei de comprar.
    - Com que dinheiro? - perguntam. - Sabemos quanto custa um Porsche!
    - Bem; - ele disse - este custou 15 dólares.
    E os pais esbravejaram ainda mais:
    - Quem venderia um carro destes por 15 dólares???
    - A senhora logo acima na rua. Não sei seu nome, recém mudou-se para cá. Ela me viu passando de bicicleta e perguntou se queria comprar o Porsche por 15 dólares.
    - Santo Deus! - gemeu a mãe - Deve abusar de crianças. Quem sabe o que fará depois? John, vá lá imediatamente, para ver o que está acontecendo.
    O pai foi até à casa da senhora e ela calmamente plantava petúnias no jardim.
    Ele se apresentou como pai do rapaz a quem ela vendeu o Porsche e perguntou por que ela havia feito aquilo.
    - Bem; - disse ela - pensei que meu marido estivesse viajando a serviço mas descobri que ele fugiu para o Havaí com a secretária e não pretende voltar. Esta manhã ele me ligou e pediu que vendesse o Porsche e lhe enviasse o dinheiro. Então eu vendi.

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