Who's amoung us?

quarta-feira, 27 de julho de 2011

CARTA À SOCIEDADE

SITUAÇÃO DAS FAMÍLIAS SEM TETO DE ITABIRA

Enquanto Diocese de Itabira/Fabriciano, assumimos uma posição de apoio ao movimento dos sem teto de Itabira, com ordem de despejo previsto para o dia 01 ou 02 de agosto. Sendo a Diocese uma apoiadora, damos alguns informes necessários para o momento e fazemos um pequeno relato da situação:
  1. Desde o dia 25 de abril, quando houve uma reunião na Prefeitura de Itabira com o Prefeito, alguns secretários, nós da Diocese (bispo e padres) e alguns representantes dos moradores, foi formada uma comissão para encaminhar uma saída justa para a situação. Eu estava nesta comissão representando a Diocese;
  2. No decorrer de 2 meses tivemos várias reuniões, porém sem nenhuma decisão concreta, apenas propostas vagas por parte do pessoal da Prefeitura, não assumindo as mesmas nos momentos de decisão. Falaram: “Eram apenas carta de intenções”;
  3. Como o despejo tinha data marcada para o dia 15 de maio, tivemos que marcar reuniões e audiências com as autoridades competentes: comandante da PM, juiz da 1ª Vara Cível, etc, o que prorrogou o despejo para o fim de julho;
  4. O que pedimos à Prefeitura: desapropriação da área em questão, mantendo as moradias já construídas ou disponibilização de terreno para reconstrução de outras moradias em regime de mutirão. Mesmo podendo fazer isto, ambas propostas foram rejeitadas pela Prefeitura, que por sua vez ofereceu apenas abrigo para as famílias e bolsa moradia (insuficiente para atender a todos os moradores, isto se conseguir espaço, o que não tem certeza). É um paliativo. “Ou aceitam abrigo ou vão para a rua: tem outra alternativa”? perguntou alguém da Prefeitura. Abrigo se caracteriza como algo muito desumano; é como um depósito de gente. Pela proposta, muitas famílias vão para a rua. Faltando apenas 1 semana para o despejo, não há nenhuma segurança para as famílias;
  5. Como apoiadores do movimento não podíamos aceitar estas “ofertas bondosas” da Prefeitura, por questão ética, moral e por questão de humanidade. A maioria dos moradores rejeita esta decisão da Prefeitura. Alguns aceitam porque são obrigados;
  6. O porquê do despejo? Há loteamentos atrás do Bairro Drummond e “projeto para um condomínio de luxo”. Os “sem terra” é uma “favela” que fica no meio e que desvaloriza estes terrenos, e que devem ser retirados daquele local. Só com a decisão de despejo, estes terrenos tiveram de imediato uma grande valorização. O lucro com o despejo será enorme, favorecendo muita gente grande. Neste sentido a especulação imobiliária e a ganância falaram mais alto. Trocam vidas por dinheiro. O despejo é uma forma de compensar os compromissos com a elite de dinheiro. Daí podermos concluir a quem interessa este maldito despejo;
  7. No decorrer de 2 meses, o pessoal do poder e a elite local falaram mal dos sem terra, com expressões: “são aproveitadores, não querem trabalhar, lá está cheio de drogados e traficantes, etc”. E ainda, “a maioria que está lá não precisa”. Com estes comentários, quem vai alugar algum barraco para estas pobres famílias? No entanto, no cadastramento da Ação Social (15/07/11) das 296 famílias, poucas famílias ficam fora da assistência ou não se enquadram dentro dos critérios da Assistência Social. A conclusão: a maioria é muito pobre;
  8. Trata-se de uma extrema pobreza. Até trabalho é difícil para as pessoas de Drummond. Vejo nisto um quadro desolador. Não consigo imaginar as conseqüências do despejo, ainda mais se houver resistência. O comando da PM já solicitou “plantão” do Pronto Socorro Municipal, já oficializou à Cemig e SAAE para cortarem a água e a energia, e certamente vai fazer uma operação de guerra do dia 01 para o dia 02 de agosto no Bairro Drummond. Não consigo medir o tamanho desta desgraça para estas pessoas: idosos, gestantes, crianças. Não consigo medir o tamanho do problema social pós despejo;
  9. Para um despejo deste tipo, há uma lei estadual que fala “da necessidade de uma comissão especial, encabeçada pelo governador do Estado, para acompanhar a desocupação da área”. Isto está sendo ignorado pelas autoridades locais. É preciso informar à sociedade. E neste sentido, a mídia tem colaborado imensamente;
A sociedade não pode ficar alheia neste momento. Às vezes é preciso se posicionar, tomar consciência da situação que é grave. Certamente, mesmo que não consiga reverter a situação, pelo menos nós podemos dizer com a consciência tranqüila: “Fizemos a nossa parte, não ficamos omissos”. E que Deus nos abençoe!

Movimento dos moradores do Bairro Drummond
Diocese de Itabira/Fabriciano Região Pastoral 1 (Pe. José Geraldo)

3 comentários:

  1. Certamente, lendo essa carta do Padre José Geraldo e vendo tudo que ele e a Igreja em particular fez por essas pessoas é de cortar o coração. Algumas mães ainda com filhos bebes,passando tempos a fios na porta da prefeitura, pessoas a mercê de uma situação que ficou se arrastando para chegar a ponto de ter pelotões de polícia para retirá-los daquele local onde construíram parte de uma vida.Tenho acompanhado a situação e os jornais, com entrevistas do Capitão da PM, dizer que as polícias estaõ a postos para retirar aquele povo, do local. Porém não estão pensando na segurança dos servidores que estão trabalhando no prédio da prefeitura que estão prestando seus serviços e correm o risco entrarem de gaiato caso haja uma "guerra" de polícia e sem terras na frente da prefeitura.

    ResponderExcluir
  2. Não quero fazer juizo de valor sobre atitudes de Prefeitura, Justiça ou moradores do Sem Teto. Sobre este governo, tenho opinião formada e ele falha absurdamente não apenas na questão da moradia, mas em quase sua totalidade de ações, ou falta delas. Quero apenas ressaltar sobre um ponto desta carta aberta que diz que "das 296 famílias, a grande maioria foi selecionada no cadastro da PMI para receber ajuda, o que mostra que que a maioria é muito pobre". No site defatoonline foi publicada, hoje, uma matéria sobre o assunto, mostrando a preparação dos abrigos para receber famílias até domingo, último dia antes da desapropriação. Na reportagem diz: "A coordenação do aglomerado Drummond calcula que no local moram cerca de 300 famílias. Dessas, apenas 137 foram enquadradas pela Prefeitura como condicionadas a irem para os alojamentos". Ou seja, 159, segundo o cadastro, têm imóvel em nome de algum familiar e/ou renda percapta acima da que se enquadra os carentes. Bom, pode até ter havido equívoco por parte da reportagem, o que acho pouco provável. Apesar de se afirmar que o site defato é "chapa branca", eu opino que já foi, SIM! Hoje, tanto o site quanto a revista são coordenados pela Kelly Eleto, jornalista séria e competente. Quem acompanha, sabe o quanto mudou de uns meses pra cá. Aliás, na questão do "fecha ou não fecha acordo com o Ronaldo Magalhães", vivida recentemente pelo Damon, o site ouviu o médico e vi muita isenção no texto publicado. Saudações.

    ResponderExcluir
  3. Ao Anõnimo aí de cima.

    A reportagem da Defato já mostra tendência quando aponta APENAS 137 famílias para os alojamentos. 137 é praticamente a metade das famílias que não têm pra onde ir. As outras, em sua maioria, se encaixam em outros programas (bolsa moradia, fornecimento de material de construção, por exemplo. Fica ali uma mensagem de que as pessoas que estão lá não precisam. Além disso, ninguém cita que parte do terreno é público, e muito menos parentes de políticos possuem residência no local...

    ResponderExcluir

São aceitos comentários com autoria não identificada (anônimos), desde que não exponham ou citem nomes de pessoas ou instituições de formas pejorativa, caluniosa, injuriosa ou difamatória e mesmo que sejam expostos de forma subliminar ou velada.

Durante o período eleitoral, não serão publicados comentários que citem nomes de candidatos, nem de forma elogiosa, nem crítica.

Caso queira postar uma denúncia, é necessária a identificação do autor (nome completo e e-mail para contato), para que o comentário seja validado. Caso não possa se expor, envie um e-mail para a editoria (contatoitafq@yahoo.com.br), para que a denúncia seja apurada e certificarmos que há condições legais e justas para pautarmos uma postagem.

EM FASE EXPERIMENTAL: Os interessados que tiverem conta no Facebook e que não queiram seus comentários submetidos à moderação podem solicitar as suas inclusões no grupo de discussões "Filhos das Minas", ou, caso já seja participante dele, basta postar seu comentário diretamente no Facebook.

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.